Wednesday, 19 July 2017

Laços de sangue

A Maria, a Luísa, a Francisca (sobrinha emprestada) e a Constança

Este post chamava-se "Ser Tia" e continha um enorme texto com 7 parágrafos, onde descrevia cada um dos meus quatro sobrinhos, o porquê de cada um ser tão único e deste sentimento tão nobre que é o amor de tia. Quis adiccionar o vídeo que está em baixo através do telefone e quando cá voltei tinha-se ido tudo. Tudo! Tentei recuperar, pensei escrever de novo e depois concluí que não era para ser. Talvez o que sinto por cada um dos meus sobrinhos deva ficar guardado para mim. O essencial já o sabem, principalmente quem me segue noutras redes. Sou uma tia babada, que tem como benção maior na vida estes sobrinhos. Não os carreguei no ventre mas isso não me impede de ter este amor sem fim, que no entanto opostamente ao amor de pai, não é tão preocupado em criar, educar e formar. Mas que vale tanto para os abraços como para os ralhetes. Fui tia a primeira vez com 18 anos e cresço com o crescimento deles. Ensinam-me mais do que julgam e são o melhor do mundo. O melhor do meu mundo, e eu eu adoro-os profundamente. Se não fossem os seres humanos excepcionais que eu acho que são, talvez isso fosse indiferente, pois aos meus olhos de amor eles seriam sempre únicos para mim. Talvez um dia volte a escrever sobre cada um deles como fiz esta manhã. Agora ficamo-nos pela festa. 

A Primeira Comunhão da Maria Luísa pode-vos deixar uma sensação de dejá vu pois foi no mesmo sítio que a Comunhão da Maria que hoje tem 15 anos. Usaram ambas o mesmo vestido Bonpoint que um dia espero ver numa filha minha, e receberam ambas da minha parte o mesmo presente: o primeiro colar Tiffany de cada uma. A vaidade e feminilidade (e a piroseira) corre-nos a todas no sangue, gosto de pensar que saíram um pouco a mim. Sim, sou mesmo babada. Podem recordar o post com o dia especial da Maria aqui. Aqui ficam algumas fotos em família (o meu sobrinho Manel não aparece porque é demasiado irrequieto para poses) e o meu look com o vestido estilo bailarina, que entretanto a minha sobrinha Maria já usou no seu baile de finalistas. Está nos genes entendem? E eu só posso amar loucamente e inchar de orgulho. Aqui vai.

Com a princesa da festa e a clutch com a mensagem mais especial, 
estrategicamente colocada na foto.

Com o meu amor, que ao casar-se comigo ganhou quatro sobrinhos, que adora em reciprocidade. 

Com as mães de três das quatros meninas, as belas irmãs Dantas. Família não são só laços sanguíneos, família é também quem escolhemos para estar do nosso lado nos bons e maus momentos. Felizmente os bons ganham em peso.

Com o meu Rei, o meu pai, avô babadissimo desta canalha toda.


I'm Wearing:
Lunatic Italia dress* Zara sandals* Givenchy clutch


Rodem a cabeça um bocadinho :)

Monday, 17 July 2017

Mr. Big gave me a closet!


Eu não sou rapariga de acreditar em coincidências! Mas acredito muito em acasos felizes e acredito também que quando nos rodeamos de pessoas extraordinárias, coisas incríveis acontecem. É sempre bom recomeçar numa casa nova! E também assustador, descubro agora. Ontem à noite, antes de me deitar pela terceira vez na minha nova cama pensei: "Bem, isto foi muito giro mas agora está na altura de ir para casa". Que coisa estranha não é? Principalmente quando se está feliz e se muda para melhor. Algo que desejei tanto! As nódoas negras e os golpes não são apenas na pele e nas pernas, vai qualquer coisinha ao coração. É uma ânsia permanente em querer que tudo esteja perfeito uma vez que estamos a começar de raiz. (E eu que tenho dificuldades em enraizar-me, talvez seja essa a questão). E ao mesmo tempo aquele sentimento de que abandonei o meu primeiro apartamento (aí sim já bem enraizada, talvez demais), ainda ele tão cheio de coisas minhas e de mim. Eu sou cinturão negro em trocar de casa, esta é a minha décima sexta mudança. Será que tenho aqui um cromossoma nómada que atrapalha um pouco o processo? Talvez seja apenas eu que simplesmente penso demais (que mulher não o faz), pois a verdade é que estou genuinamente feliz. A minha casa, como diz o poema do Benedetti é o meu marido, o meu amor. Nele sim me devo encontrar. Sou tão sortuda, que este misto de emoções me faz sentir um pouco pateta. Silly! Poor little silly girl. 

O conceito do minimalismo, que tenho tentado praticar, é extremamente complicado, pois se por um lado me congratulo com um espaço apenas com meia dúzia de móveis certos e tudo no seu devido lugar, por outro fico invadida de nostalgia, saudade e uma enorme confusão sobre todas as coisas que dizem respeito aos afectos. Aos meus afectos e aos de quem me rodeia e que se traduzem em peças físicas. Como as coisas que trouxe de Chefchaouen em Marrocos, numa viagem que fiz numa carrinha Vito propositadamente para decorar a casa aos 24 anos. Como todos os presentes de casamento. Como o meu mini frigorífico da Coca-Cola para o qual tive de juntar rótulos de 1040 garrafas, pois não se vendia, apenas se ganhava. Estes são apenas alguns exemplos do que deixei para trás e ainda tenho de decidir se vem comigo. E garanto-vos, não é tarefa fácil. Algumas lágrimas têm rolado. 

Bem mais fácil é o desapego de roupas e esse tenho praticado com distinção. Com a ajuda do livro da Marie Kondo e depois de ver o documentário "A documentary about the important things" percebi que tinha coisas a mais. E decidi que nesta casa apenas me iria rodear das minhas coisas favoritas. Entre dar, vender e deitar fora, muita coisa já se foi. Estas não chateiam nada, são trapos afinal. E aí chegamos ao closet, onde finalmente posso ter tudo arrumado, organizado e bonito. As minhas coisas! Este foi o realizar de um sonho que nunca fui atrevida sequer pensar. Este closet! Que loucura, meu Deus. São as tais linhas escritas nas estrelas que fazem coisas assim acontecer. Isso, e este espaço, assim como o resto da casa, ter sido pensado e criado por uma das mulheres que conheço com um gosto mais requintado e uma das minhas melhores amigas. Eu não teria imaginado melhor. E depois claro, ter o maravilhoso marido, que qual Mr. Big me fez uma surpresa destas. Quem se lembra do primeiro filme do Sexo e a Cidade? Quando o revi recentemente absolutamente derreti, pois esta foi realmente uma grande e amorosa surpresa.

Vou vos mostrando o resultado; os sapatos e carteiras irão conviver com fotos, livros, quadros e peças especiais como as que constituem o meu presépio (feito de vários elementos diferentes sem credo nem religião). Junto à varanda vou montar um pequeno escritório para escrever, escrever muito. E junto ao espelho terá lugar cativo o meu tapete de yoga. No fundo o que quero é que este seja  bem mais do que um quarto de vestir e sim o "Quarto da Raquel" e que acima de todas as éticas e estéticas, contenha a magia e a simplicidade de ser feliz.  No fundo é o que todos queremos, não é? Ser felizes. Acho que o conteúdo principal já o tenho: o amor. Como diz a Carolina Ferraz: "Deixe que o amor chegue e se instale (sem style). Porque tudo o resto são bobagens meninas, bobagens..." 

O design e execução do closet ficou a cargo da fabulosa DING DONG.

Friday, 14 July 2017

Uma década de moda: as novidades, as mudanças, os fails e os clássicos.

Há cerca de dois meses estive no Fórum Coimbra com a Vanessa Martins do Frederica, para juntas falarmos sobre o que tinha acontecido desde que o Fórum abriu, 11 anos antes. Foi uma interessante retrospectiva pois leva-nos exactamente ao ano onde tudo começou: 2006!


Em 2006 apareceu o Twitter que seria a primeira grande rede social e que deu origem a todas outras que conhecemos. Foi também o ano em que os blogs de moda brotaram em força, de 10 mil registados nos Estados Unidos, o número passou para 100 mil no ano seguinte. Bloggers como a Rumi Neely (Fashion Toast) começou a fazer grande sucesso, depois de já ser bem conhecida pelas escolhas que fazia na sua conta do Ebay. 

Os estilistas notaram os bloggers e convidaram-nos para a primeira fila dos seus desfiles, aconteceu primeiro com Dolce & Gabbana. Lojas de fast fashion como a Mango abriram as suas primeiras lojas do outro lado do Atlântico, mais precisamente em Nova Iorque e a H&M começava as primeiras colaborações com estilistas que ainda hoje fazem as delícias dos amantes de moda. 

O mundo digital comunicava tudo isto e carreiras como as de stylist começavam a aparecer, assim como as manequins como estrelas da alta sociedade.  As pessoas começaram a interessar-se mais pela vida pessoal dos famosos, e uma nova janela era permitida graças ao que expunham nas redes. Por sua vez anónimos tornavam-se conhecidos pelos seus blogs que funcionavam como diários de lifestyle, principalmente com foco na moda e na beleza. O fenómeno dos seguidores e do seguidismo surge e com isto também o interesse das marcas em colaborar com bloggers, um tema que até hoje dá pano para mangas e está longe de ter encontrado uma fórmula certa e fechada. 

Tudo isto em 2006, foi realmente um grande ano, não acham?


Quando comecei a fazer esta viagem achei interessante ir saber que peças ou estilos foram tendência na última década. Aqui estão os 9 grandes pontos que encontrei. Aposto que não se lembravam de algumas coisas, lembram com saudade outras e algumas ainda hoje usam porque vieram mesmo para ficar. Vamos daí?


Esta terá sido uma das grandes novidades: skinny jeans. Se hoje usamos todos os estilos e mais alguns, em 2006 os skinny jeans eram o modelo favorito de toda a gente. Entretanto apareceram os boyfriend, os mom e até os shorts, na sua maioria feito em casa, a partir de velhos pares de calças de ganga.


Quando fizemos este talk em Coimbra perguntámos à audiência qual achava ter sido a grande tendência que tinha vindo para ficar e a resposta foi: sapatilhas! A verdade é que praticamente toda a gente ali estava de sneakers calçados, inclusivé eu e a Vanessa apesar de estarmos com roupas que não eram desportivas (um vestido no meu caso e umas calças metálicas e camisa no caso da Vanessa). O mesmo aconteceu com as sweatshirts, os bombers e o que dizer então das leggings?


Nos últimos 11 anos foram tendências vários tons que se afastavam do pantone nude eleito em 2006. Passamos pelos néons, pelos pastéis ou candy colours e até pelo colour block. Como sabem, alguns voltaram a ser tendência este ano, ou talvez nunca tenham ido a lado nenhum.


Começamos pelo calçado: botas acima do joelho ou botas pelo tornozelo. As primeiras sobrepostas a calças, as segundas com vestidos. Isto foi uma grande inovação não acham? Voltaram também as minissaias, o comprimento midi e os crop tops vindos directamente dos anos 90!


Quem se lembra do skort da Zara? Acho que foi das peças mais vendidas e copiadas nesse ano. E das saias (e vestidos) mullet com a parte da frente mais curta? Acuse-se quem não aderiu a esta moda que parece ter desaparecido. Os jumpsuits vieram para ficar, assim como os culottes e o comprimento midi em plissado. 


Nos últimos 11 anos assistimos a tudo: neopreno (atenção ao peplum na peça branca, também ele grande trend), glitter, o grande regresso do veludo, o camuflado como mega-tendência e hoje em dia as flores e bordados. Não nos podemos esquecer também do lettering e mensagens em várias peças. Eu acho que quase todos vieram para ficar!


Eu associo o fenómeno da polipele directamente às leggings. Mas também vimos a pele a ganhar força nos bikers jackets e biker boots. Eu associo esta tendência ao estilo rockeiro que também nos trouxe as tachas, que ainda não depareceram mas parecem ter acalmado um pouco. Grupos como o Inditex lançaram todo o tipo de roupa feita em polipele e os pêlos falsos regressaram em força e em várias formas e estampados (animal print, hello). O ambiente agradece.


Hoje em dia fala-se bastante do pajama style mas ele já chegou há alguns anos. Com ele os slip dresses, também eles semelhantes à roupa de dormir assim como os kimonos. Como não falar também de um estilo que ganhou muito terreno e continua a ganhar: o boho chic.
  

Eu costumo dizer que os acessórios, apesar do nome, fazem tudo menos apenas acessorizar. E sim imprimir cunhos de personalidade aos coordenados, por vezes alterá-los completamente. Para melhor, esperamos. Quem se lembra das Litas Jeffrey Campbell. Ui esse é um tema que dá para muitos caraceteres, mas entre quem teve e amou e quem não teve e destestou, toda a gente se recorda. Estavam nos pés de meio mundo e de repente desapareceram, curioso não é? As jóias statement, os chapéus fedora, e os chokers foram outros dos acessórios chave da última década. 


Esta Vogue é uma prova viva da mudança que ocorreu no mundo da moda na última década. A verdade é que muita coisa ainda está a mudar. Fala-se de millennials, de insta-models, de e-commerces a crescerem como cogumelos e do made in Portugal. Há tanto para falar! Por hoje fico-me por aqui e de certeza que vocês se lembram de mais uma ou outra tendência que foi enorme nos últimos anos, por isso convido-vos a comentar. Entre novidades, mudanças, fails e clássicos, aqui está uma viagem a que quase ninguém ficou indiferente. O que nos trará a próxima década? Apostas aceitam-se!

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