Monday, 12 March 2012

Sobre "Modas"

Eu ia limitar-me a fazer um post em inglês, como sempre faço, a falar levemente do dia passado na Moda Lisboa e daquilo que levava vestido. Afinal é mais ou menos nisso que este blog se baseia. Mas estou desde Sábado com uma comichão atrás da orelha e na realidade não. O meu blog não é isso. Sim, a seguir vão ver as fotografias que com prazer tirei no passado Sábado mas antes gostava de dar a minha opinião honesta, sob pena de ficar com uma espinha atravessada. Muito se tem falado da Moda Lisboa. Dos wannabes, dos freak shows, do show off e por aí em diante. Honestamente a mim preocupa-me pouco aquilo que os outros vestem. Se alguém se quer disfarçar de Carmen Miranda e ir assim desfilar para as imediações do evento dá-me um pouco igual. É certo que me diverte, posso comentá-lo com amigos, mas dá-me igual. Cada um é livre de vestir e de se expressar como quiser. E principalmente de usar eventos mediáticos para que a sua "expressão" chegue a um maior número de pessoas possível. O que me incomoda é quando as pessoas começam a confundir isto com moda. O que me incomoda é ligar os nosso telejornais e ver os jornalistas viçosos de encontrar o que de mais extravagante existe para mostrar ao mundo. Ora moda não é isto. E a moda também não é fácil. 

Comecei a trabalhar em moda em 2010, muito pouco tempo, mas o suficiente para ter percebido algumas coisas. Fazer uma colecção de moda, deixem-me que vos diga é das coisas mais difíceis que existe e não é de todo tão divertido como parece ao ver o resultado final, ou seja os desfiles nas semanas de moda. Não basta pensar num conceito, em imagem pulantes na nossa mente, para que a roupa apareça espontaneamente em cima das nossas mesas. Pelo contrário. É preciso toda uma estrutura para que uma colecção possa acontecer, estrutura essa que muitos dos nossos designers não têm, o que faz com que o seu trabalho seja ainda mais difícil. É preciso estudar não só o que queremos fazer mas também o que o mercado nos pede, pois nem todos são milionários ou tão consagrados, que se possam dar ao luxo de vestir sacos de plástico em manequins e vendê-los por um valor com três zeros à direita. Os esquissos ficam muito bonitos em papel, mas daí a chegarem às mãos do cliente vai um longo percurso. É preciso desenhar os croquis vectorialmente para que os moldes possam ser feitos. É preciso escolher os tecidos e os acessórios conforme o orçamento disponível. Fazer centenas de telefonemas, receber outras tantas pessoas, procurar, explorar. Experimentar os protótipos para muitas vezes se chegar à conclusão de que algo está errado e daí se desenharem novos croquis ou novos moldes. Mudar-se um tecido pois o seu comportamento não é o que esperávamos e daí mudar toda uma colecção. É preciso escolher botões, zippers e etiquetas e muitas vezes contá-los. É preciso falar com várias pessoas por dia que nos fazem chegar até tudo isto. E depois é preciso que as peças sejam bem confeccionadas o que implica uma comunicação excelente entre todas as pessoas envolvidas. Por vezes temos uma surpresa, outras vezes uma desilusão. E lendo todo este trajecto imagina-se uma equipa gigante a fazer tudo isto, já sem falar em todo o processo que apresentar uma colecção exige. Num cenário ideal seria, mas a nossa realidade não é bem assim. 

E por isso fico danada, genuinamente danada, quando estou a ver um desfile e tenho as pessoas do banco de trás na treta a falarem do que a outra na fila da frente tem vestido. Ou então coladas no blackberry enquanto os manequins passam. Dá vontade de me voltar para trás e perguntar: mas afinal o que estão aqui a fazer? E são essas mesmas pessoas que vêm cá para fora e são fotografadas e são catalogadas como a moda Portuguesa. Essas mesmas pessoas que quase na certa não sabem, nem lhes interessa, distinguir um cetim de uma seda, mas estão prontamente dispostos para dar entrevistas sobre o seu parecer sobre as nossas modas, sobre designers, colecções e principalmente sobre aquilo que têm vestido. Porque se calhar uma organização privilegia convidar personalidades conhecidas das festas do croquete que se reproduzem em caracteres numa revista cor-de-rosa em prol dos verdadeiros profissionais da moda. E isso é simplesmente triste e decadente. 
É certo que a Moda Lisboa chegando a este expoente limite não é atractiva para ninguém. Mas a Moda Lisboa não se fez apenas disto e isso é importante reter. Porque tomando esta parte como um todo está a negligenciar-se o que realmente deveria ser importante. O talento Português e não as manobras de diversão externas. Porque essas. Chamem-lhe o que quiserem mas nada têm a ver com moda.

52 comments:

  1. É impressionante, de facto. Deve ser revoltante para quem trabalha no meio ver aquela gentinha a fingir que percebe.

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    1. Não é preciso trabalhar em moda. Basta gostar. E eu tal como tu tenho background em jornalismo e como bem sabemos para muitos jornalistas em Portugal "quanto pior, melhor".

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  2. Tenho de concordar contigo! Tanta gente com interesse genuino em moda e depois há lá gente que vai para marcar presença e dizer que esteve! Fiquei verde (verde!!!!!!) quando uma senhora da organizaçãõ me "pediu" para me chegar mais para o meio da fila para que os filhos e amigos da celebridade da tvi se sentarem ali...
    eu que tinha estado na fila em pé, de saltos à espera para conseguir um bom lugar para fotos razoáveis tive de me deslocar para aquelas "avestruzes" estarem a mudar o status do facebook para: "estou na moda lisboa!" enquanto os manequins lhes passavam à frente do nariz!!!....
    desculpa, também tinha de desabafar!
    Estavas girissima btw ;) estive mega envorganhada por isso nem meti conversa mas gostei de te ver!;)


    beijinho**
    sara, chips-ina-fishbowl.blogspot.com

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    1. Deverias ter tido! Gostava de te ter conhecido!

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  3. Concordo plenamente! Confesso que acho que este é um problema transversal na cultura portuguesa... a maior parte das vezes quem gere estes eventos torna-os demasiado elitistas e distantes das pessoas e da economia! Numa tentativa desesperada de ser "falados" acabam por simplesmente nao passar mensagem alguma!!!

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  4. Como eu te percebo. Acho que existem tantas pessoas que estão ali. Depois e não é querer estar a fazer-me de sei lá o quê, existem pessoas como eu que matavam para lá estar e não arranjam convites. Há pessoas que não sabem a sorte que têm.

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    1. Cátia don't... Não vale a pena, confia em mim!

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  5. Como eu te entendo...!!! Nem digo mais ;)

    Bisou hun*
    IV

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  6. Raquel, assino por baixo. Esta edição não meti os pés na ModaLisboa, por vários motivos, um deles o facto de estar cansada de ver pessoas que nada entendem sobre Moda.

    Para mim, a Moda é uma coisa séria. Não é a minha profissão (ainda), mas é algo que me preenche desde que era uma menina. Comecei por imitar a Cindy e a Claudia a desfilar, depois passei para as revistas. Mais tarde vieram os livros e um dia chegou esta coisa maravilhosa que é a Internet e o Style e, inevitavelmente, as horas passadas a analisar colecção por colecção.

    Sobre a Moda portuguesa, penso que, pela primeira vez, temos pernas para andar. Boas colecções temos (eu vestiria, sem hesitar, Ricardo Dourado, White Tent e Pedro Pedro) mas falta-nos consumir moda portuguesa, falta-nos ter orgulho no design made in Portugal. O que a mim me parece é que se fala muito pouco das colecções e muito do espectáculo que se vive cá fora, que é legítimo e bom de se ver. Cometem-se excessos? Sim, demasiados. Se eu acho que a maioria vai lá para ser fotografado? Sem dúvida.

    Eu, que já fui imensas vezes vítima de piadas por gostar de Moda ou chamada de fútil e por aí fora, começo a não achar piada a esse circo que se monta de seis em seis meses. A Moda deve ser vivida, deve estar nas ruas, mas a Moda não é gostar de roupa. Vai para além disso e eu tenho pena que a maioria não veja para além disso, mesmo nos blogues de moda que, por vezes, são mais um diário narcisista do que um reflexo de uma paixão, verdadeira e intensa, pela Moda. Mas isso levar-nos-ia para além do âmbito do post e eu ficaria aqui a noite toda a escrever uma dissertação!

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    1. Cátia eu lembrei-me de ti quando estava lá e concluí exactamente isso, que não tinhas ido pelos mesmo motivos pelos quais a Hella não foi apesar da nossa insistência. Não tinhas saco. Eu fui um dia apenas e chegou-me, nem pensei em voltar lá, não me sentia bem e eu adoro "ver moda". Fiquei saturada. Apesar de tudo congratulo-me pelo Portugal Fashion ainda não ter chegado a esse extremo. É bastante mais orientado para a industria e isso é bom. Espero que se mantenha.

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  7. concordo com tudo Raquel! nesta edição não fiz questão de querer ir, e Portugal Fashion vai pelo mesmo caminho. desilude por isto e é uma pena. mas não tenho paciência para ver wannabes e poses estudadas, combinadas com caras propositadamente enjoadas, mais jogadores da bola e o sobrinho do sobrinho da fulana que é "muito importante", enquanto estudantes de moda e pessoas da área e que respeitam os desfiles e a moda portuguesa se veem gregas para arranjar convites ou credenciais.

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    1. J. nem mais. Sabes bem a minha opinião e sabias que este post ia sair mais cedo ou mais tarde. Fico obviamente feliz que me tenham dado acreditação de imprensa mas entristece-me que não sejam capazes, por exemplo, de providenciar convites às empresas de têxteis moda Portuguesas. Eu quero acreditar que o Portugal Fashion ainda se mantém um pouco à margem do fenómeno circense...

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    2. Não poderia deixar de comentar isto! Não convindam empresas têxteis moda Portuguesas? Então quem vai lá?
      Eu concordo que a Moda lisboa Fashion tem de ser frequentada por quem de facto percebe e tem interesse nos desfiles, sabe avaliar e julgar o que via passando na passarela. Fico triste por saber que grande parte das pessoas vêm aquilo como uma forma de exibir.
      Tal como a Cátia daria tudo(quase) para poder is só um dia ver o ambiente dos desfiles, os tecidos, as modelos, os penteados (ai os penteados...) e ficava feliz da minha vida.
      Gostei de ler o teu post, pareceu-me muito sincero e de algum modo também fiquei desiludida com o que realmente se vive lá.
      Beijo
      Célia

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    3. Célia atenção que não quero de todo com isto moldar a opinião de ninguém. Assim como eu me senti deslocada naquele ambiente, conheço pessoas de que gosto muito que continuam a adorar ir. Não duvido que gostasses até porque um desfile pode ser um espectáculo fabuloso. A música coordenada com as roupas, o teatral caminhar dos manequins, o cabelo e maquilhagem... É tudo pensado ao pormenor e vale a pena ser apreciado. Eu acho é que com os anos vou perdendo paciência e depois de ver tantas alusões negativas à Moda Lisboa tinha de dar a minha visão.

      Sim, muitas empresas de têxteis moda pediram convites com tempo, o que lhes foi rejeitado. Grandes empresas. Também não entendo esse critério.

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  8. Cada vez mais acho que a Moda Lisboa, é tudo menos isso. Vê-se imensa coisa esquesita por esse tipo de eventos, mas não falando dos gostos dos outros. Cada um gosta do que gosta. Quanto às injustiças, é sempre assim.."deus dá nozes a quem não tem dentes" , e hoje em dia roda tudo à volta disso. Eu acho que a Moda Lisboa devia ser para estudantes de Moda, Media, e novos talentos, e não para celebridades daqui e dali que não entendem nada do assunto. Acho que quem devia assistir a isso é quem realmente desse valor a estar ali, a aprender algo com aquilo e não só para dizer depois "eu fui". Cada vez mais é à base do "Eu fui" do que "eu aproveitei.. eu aprendi". Enfim. *

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  9. post tremendamente bem escrito. acho que consegues compilar tudo o que toda a gente tem achado. you go, Raquel :) *

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  10. Concordo inteiramente. Uma das coisas que não percebo é como é que tantas pessoas que não interessam ao mundo da moda têm acesso aos convites. Vão pra lá fazer o quê? Às vezes nem sabem quem são os criadores... Outra coisa que me incomoda é o desfile de vaidades. Ver quem leva o melhor outfit é que é importante! Francamente não percebo essas pessoas. Em relação aos jornalistas, deviam fazer um bom trabalho e entrevistar quem interessa (quem pertence à moda) e deixar o resto para a altura do carnaval.

    **

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  11. Raquel, concordo plenamente com tudo o que disseste!!! É mesmo irritante perceber que existem pessoas que de moda nada percebem e que simplesmente querem aparecer. Pensei exactamente a mesma coisa que tu, quando vi o telejornal e quando percebi o que se estava a passar... Percebi da mesma forma que as bloggers que mais admiro e que realmente são vocacionadas para o mercado da moda não estavam lá! Isso significa que algo está errado e que infelizmente a moda em Portugal está a chegar a um ponto um pouco saturado, com tantos protótipos (mal elaborados,falhados e ridículos!) de fashion bloggers, que vão para as semanas da moda para "aparecer" e que nem sequer se preocupam em perceber todo o conceito das criações e todo o trabalho por trás de um desfile. Um beijinho e continua assim, que eu tenho orgulho de ser tua conterrânea! :)

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  12. Raquel, não podia estar mais de acordo!

    Nesta edição não estive, mas o fenómeno que descreves já reparo nele desde a primeira edição de ModaLx a que fui, há uns 6-7 anos atrás, ainda na época da faculdade. Mesmo assim, penso que provavelmente terá piorado nos últimos anos. Se antes acabava por se ver por lá principalmente caras da Televisão muitas delas até entretanto "esquecidas" a aproveitar a oportunidade para "aparecer" e dar nas vistas, agora vemos principalmente ilustres desconhecidos a fazerem exactamente o mesmo. Os senhores jornalistas que não conseguem separar o trigo do joio na verdade é que têm culpa, mas isso já é outra história...

    De qualquer forma, adorei ler-te, como sempre!
    Beijinho,
    Joana

    Beijinho
    Joana

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  13. Bem que post fantástico Raquel, até porque tu és a pessoa certa para o escrever! De certa forma já sabes a minha opinião sobre o assunto e realmente fiquei triste com a situação :( E já é a terceira crítica do género que vejo pelos blogs!

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  14. TAU! Adorei!!! Ler-te em português tem outro sabor!! Estando por dentro da indústria, sabes melhor que ninguém o "nojo" que essas atitudes são..a do blackberry..omg..... a big LOL and a BIG: No thanks!!

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    1. Hella as do BB.... Enfim! Sim em português soa sempre melhor. Um dia perco a cabeça e mando o inglês para as urtigas - NOT! :)

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  15. Concordo plenamente com tudo o que escreveu. Já assisti a várias edições da modalisboa e noto que cada vez mais se dá atenção a pessoas que vão para se exibir e nem dão o mínimo de atenção aos desfiles. Eu gosto imenso de poder ver os desfiles mas já estou um bocado "cansada" do que se tem vindo a tornar.
    Beijos
    Mariana

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  16. Eu estava naquela se havia de fazer um post no meu blog sobre isto.
    Eu há anos que tento ir ao Moda Lisboa, não como blogger, não como espectadora...simplesmente queria ajudar a montar o evento que privilegia a moda portuguesa !
    Dos 14 aos 16, disseram-me que era muito nova...a partir daí, das poucas vezes que responderam foi para me dizer que como não sou da área (belas artes, moda, arquitectura) não posso ir ! Acho ridículo a minha opção de futuro ser motivo de recusa por querer contribuir para o crescimento nacional de um hobbie meu !
    Amigas minhas que foram disseram que as cenas mais impressionantes foram pessoas a passar telemóveis, a rirem-se para trás, algumas chegaram ao limite de não tirarem as coisas do chão quando a organização pedia para as modelos terem o espaço livre para desfilar !
    Isto sem falar da visão deprimente que alguns canais de televisão deram do Moda Lisboa: via-se claramente que estavam à procura do extravagante e não do elegante...
    Cada vez tenho mais respeito por ti Raquel ;D

    http://thediariesofmissbad.blogspot.com/

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  17. Obrigada pelas vossas palavras nos comentários acima. Fico feliz que tenham entendido um pouco a minha "tristeza" por aquilo que deveria espelhar o que de melhor se faz em Portugal. E mais ainda por perceber que não estou sozinha, que várias pessoas sentiram o mesmo, que algo de errado está a acontecer... Vou continuar a escrever posts destes sempre que necessário, essencialmente cá dentro ;) Venha daí o Portugal Fashion!

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  18. Posso-lhe dizer que não poderia estar mais de acordo consigo.Tenho vindo a assistir a várias edições da moda lisboa desde cascais até agora presentemente se realizar no páteo da galé, e digo-lhe muito sinceramente que este ano não tinha vontade absolutamente nenhuma de ir,devido ao espectáculo degradante e deprimente que é ver as pessoas não ligarem nenhuma para o que está a acontecer na sala de desfiles,porque estão mais interessadas nas unhas, no telemóvel ou no tecto da sala do desfile.
    Acho que podemos estar na moda sem exagerar, sem chegar a ser ridículos, porque, e a meu ver, estar na moda não é ser extravagante, é sim apresentar uma imagem elegante, com classe, e que apesar de parecer igual a todas as outras pessoas que vemos no nosso dia a dia, tem um toque especial, uma diferença, um acessório que nos faz destacar de tudo o resto.
    Os meios de comunicação influenciam em grande parte este aparecimento de "aves raras" com trajes caricatos,porque o que as pessoas querem ver não é a notícia do "cão que mordeu o Homem", mas sim "o Homem que mordeu o cão", isso sim é notícia, e isso sim daria um texto bem grande sobre este tema e sobre a sociedade actual, porque se não quiséssemos saber destas futilidades e personalidades que só vão ali, e desculpem a expressão,"passear o esqueleto",a informação e os programas que nos são apresentados teriam de se reinventar e tornar-se mais interessantes, cultural e intelectualmente, mas como o problema principal não está nas pessoas que fazem mas sim que assistem nada feito, continuamos a ver pessoas a ser entrevistadas que não sabem do que falam.
    Muito sinceramente e para concluir, cada vez mais me dá menos vontade de ir pelo espectáculo que está montado ao redor da moda lisboa, vou apenas pelo espectáculo que os estilistas fazem que adoro ver, que aprecio, que elogio, porque tenho noção de que não é fácil construir uma colecção de 10 minutos, porque sei que o trabalho que está por detrás deve ser mais do que muito e porque sei, acima de tudo, que saio satisfeita comigo e contente pelo estilista pelo trabalho que ele desenvolveu me levou para o seu mundo e me fez parar, olhar e pensar da mesma maneira que ele pensou para chegar ao conceito que nos apresenta.

    beijos, mariana leiria

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    1. Obrigada pelo comentário Mariana. Julgo que estamos numa posição semelhante, eu vou, não só em trabalho como porque me dá genuino prazer ver o trabalho dos outros. E sim, a comunicação social é em grande parte culpada desta desvirtualização das nossas "semanas de moda". Creio no entanto que este ano terá sido tão flagrante a má publicidade que talvez a organização pondere uma forma de fazer as coisas de forma diferente. Porque cada vez mais existirão pessoas sem paciência para o realmente importa.

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  19. Gostei muito do post... Concordo plenamente! Eu não sou grande entendida em moda, muito menos em criações portuguesas. Não posso dizer que conheço o percurso deste ou daquele, nem que sigo com atenção. Mas gosto de ir, de ver um desfile, apreciar as criações, a música, o ambiente - ADORO. Quanto ao resto... Acho que a organização devia ler isto... Está nas mãos desta mudar o rumo das coisas. Quanto à comunicação, acho normal que procurem o inédito, mas que ponham pessoas como eu (sim, como eu) a falar com ar de entendidas, quando na verdade percebem pouco - muito pouco - do que acabaram de ver... É estúpido! ahah Enfim...

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    1. Eu sei que entendes Xana ;) É por estar pessoas como tu que vale a pena ir.

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  20. nunca tive o prazer (ou desprazer) de ir a um evento desses. não que me importasse, de ver como é e funciona, somente para matar a curiosidade. só tive oportunidade de ir uma vez, pq me arranjaram um convite, que rapidamente declinei quando me propuseram um jantar de amigos para o mesmo dia. hoje, e com o que leio escrito por pessoas inteligentes como tu, cada vez menos vontade tenho de sequer espreitar este tipo de eventos.
    as atenções estão a ser postas no que não é suposto, e sinceramente, esta blogosfera está a transformar-se num show semelhante ao que tu tão bem descreveste neste post. e eu não tenho muita paciência para isso...

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    1. Inversiva sobre o tema da blogosfera prefiro não me alongar. É como a roupa, cada um sabe de si, desde que isso não interfira comigo, o que não acontece ;) Beijinho

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  21. Apesar de nunca ter frequentado um evento deste género, não poderia estar mais de acordo contigo, Raquel. Daquilo a que assisti através da televisão, a ideia com que fiquei é que existe muita gente com uma enorme vontade de aparecer e não de valorizar e apreciar o que bom se faz na Moda em Portugal. E é pena porque eventos deste género deveriam ser exactamente para isso! Assisti a uma mini-entrevista de alguém que tinha ido à Moda Lisboa e que estava ali para ser penteada. Será isto normal? Não, definitivamente não. E mais confusão me faz ainda quando tantas fashion bloggers (e estou a falar daqueles que o são verdadeiramente, que buscam a originalidade e a inovação nos seus blogs diariamente e que não se limitam a mostrar mais do mesmo) não foram a este evento. Se calhar isso diz muito. Parece-me que apenas estão lá para a fotografar e para criticar esta ou aquela indumentária e tenho pena que assim seja. Porque assim não se prestigia de forma alguma um evento que poderia ter outra projecção a nível internacional.

    Parabéns pelo post, está fantástico! :)

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    1. Obrigada Fiona, foi um desabafo que tinha de ser feito. Se várias pessoas se manifestarem talvez alguma coisa mude. Beijinho

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    2. Exactamente, concordo. De certeza que a organização deste evento não quererá publicidade de alguma forma negativa e pode ser que reveja a sua postura em determinados aspectos. Bjs

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  22. Muito bem dito Raquel!
    Eu sou do Vale do Ave, de Guimarães (como tu) trabalho em moda á bastante tempo, sei bem o que custa fazer uma colecção e pô-la na rua! O trabalho que dá, desde a pesquisa, a análise do mercado, a procura dos materiais certos, e depois de encontrá-los a batalha para conseguir os melhores preços para que o produto final tenha um preço combativo, uma infinidade de coisas que as pessoas nem imaginam! E custa-me ver algumas pessoas na televisão que não percebem puto daquilo, nem da importância que a moda e o sector têxtil têm na economia do nosso país, e da nossa zona em concreto e que são entrevistadas ou convidadas para irem a tais eventos, porque têm um look exótico, porque chamam a atenção ou porque aparecem na novela das oito!!

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    1. Gija ainda bem que me compreendes bem. EU também trabalho no Vale do Ave e sei bem do que falas. É triste não é? Beijinho

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  23. Já conheces a minha opinião.

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  24. Concordo contigo plenamente. Acho que a moda não é só feita dessas pessoas que a vão ver, mas que se deveria dar mais atenção ao estilismo português. Também penso que não deveriam convidar qualquer tipo de pessoa para a modalisboa, porque muitas pessoas vão, mas para depois serem fotografadas, aparecer na televisão e depois comentar algo que nem prestaram a mínima atenção, enfim, deveria ser mais controlado isso dos convites e tentar convidar pessoas de vários países que fossem ligadas à moda, como revistas internacionais e outros estilistas, porque temos um mercado que não é mau de todo, há produtos muito bons, mas ao invés de convidar as pessoas que deveriam estar lá, que era importante, convida-se aquelas pessoas que nem sabem o que é um botão.

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  25. adorei o texto e não podia estar mais de acordo!

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  26. Bom texto e adorei o que referis-te. No sábado de manha falei ao telefone com a hamberhella precisamente isto que escreves-te. Não é a primeira vez que vou à moda lisboa. E esta edição para mim, na minha opinião, foi diferente pelos piores motivos. Achei que as pessoas fizeram de tudo para chamar atenção das câmeras. Tal como referes é-me indiferente que x ou y se vista assim ou assado. Achei horrível aquele ambiente de show e muita hipocrisia pelo meio. Nos desfiles reparei que poucas pessoas estavam realmente atentas aos modelos e ás criações. enfim.

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  27. Um grande beijinho pelo magnífico texto. Há muitos anos que vou à Moda Lisboa e nos últimos anos tem sido um suplício, indo apenas quando quem me convida faça mesmo muita questão que esteja presente. Por muito que me tente abstrair, não consigo perceber o porquê de tanta gente confundir moda com excentricidade (e atente-se que não é nada contra a excentricidade). Acontece que é a moda que perde com tudo isso. É bom saber que quem trabalha em moda esteja consciente disso e faça algo para o mudar :)

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    1. Esperemos que sim Pedro, que textos como este cheguem às pessoas certas e que algo de facto mude. Beijinho

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  28. Então e nós, gajos com pinta que gostam de ver mulheres bonitas na plateia, mulheres bonitas a desfilar, bons espectáculos de moda com bons coordenados de música... que compramos as colecções para oferecer belos presentes às nossas "mais-que-tudo", mas não dispensamos a flute de champagne nos intervalos... de que lado ficamos dessa barricada??

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    1. :) Mas gajos com pinta que gostam de ver mulheres bonitas dentro e fora da passerele mas que também compram as colecções são clientes dos estilistas que obviamente devem ser convidados. Alia-se o mundo social à industria, o util ao agradável ;)

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  29. Queres saber a verdade ? Nunca me senti minimamente motivada para ir à semana de moda em Lisboa. Se me viessem entregar convites para todos os dias, agradecia e recusava. Não me identifico com o espírito, nunca me identifiquei e já há anos quando via isto noticiado, torcia o nariz e achava que Portugal ainda era demasiado pequeno em termos de mentalidade (e não gosto de menosprezar o país mas é o que somos, uns provincianos) para levar uma coisa destas a sério, vulgo deixar a moda em estado "bruto", no sentido mais puro de criação, genialidade e imaginação. Para mim, moda é semiótica, é como tu tão bem disseste uma "coisa séria" e sinto-me repugnada - se calhar não é a melhor escolha de palavra mas é a que me ocorre - quando começo a ver os álbuns do evento que gritam ego, quero-chocar-à-força-toda, sou-tão-diferente-que-nem-me-apercebo-da-minha-banalidade. O hábito, realmente, não faz o monge e essas pessoas para mim andam a flutuar no vácuo de uma crise de identidade que não tem nada de complexo porque nem lhes descubro ali valores, são rascunhos de seres humanos. Resta-nos focar no cerne, na genuinidade que ainda há e desmontar o circo, meter os leões fora da jaula para comer os palhaços!

    Beijinho *

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    1. Fico-me pelo moda é semiótica. Exactamente... E muitos não sabem sequer distinguir os significados dos significantes deste tipo de eventos.

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  30. Já não é a primeira vez que leio um texto deste género, sobre a Moda Lisboa, nos blogs. Não estive presente, mas parece-me que este ano deixou algumas das nossas bloggers incomodadas. Atenção, não estou a criticar. Só fico triste em constatar que o que vocês escrevem denuncia um mundo que ainda precisa de crescer e que está a anos luz de outras fashion weeks do mundo. Bjs***

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  31. Allô!
    Antes de mais que doce ler-te em português, apetece dizer-te : FICA!!!
    O texto é um claro apontamento do show de freaks em que aquilo se torna. Uma verdadeira palhaçada. Acabando por afastar designers portugueses como o Nuno Baltazar dos bloggers, não é lá muito fã do sistema e deixou-o bem claro numa entrevista na Vogue em Dezembro ou Janeiro 2012/2013. Na altura achei que as afirmações dele o colocaram um bocadinho fora do panorama português em relação aos bloggers. Continuo a achar, e não gostei que ele incluísse tudo no mesmo saco. Porque existem bloggers diferentes. Bloggers que sabem a diferença entre cetim e seda. Que sabem a diferença entre renda Chantilly e Guipure. E como a Cátia do LX State of Fashion disse: "Moda deve ser vivida, deve estar nas ruas, mas a Moda não é gostar de roupa. Vai para além disso e eu tenho pena que a maioria não veja para além disso, mesmo nos blogues de moda que, por vezes, são mais um diário narcisista do que um reflexo de uma paixão, verdadeira e intensa, pela Moda." - gosto imenso do blogue dela por não ser uma reflexão narcisista. Assim como do teu porque sabemos que estamos a falar com alguém que tem uma paixão por MODA mas que sabe do que fala.
    É triste sentir que pessoas que pouco ou nada percebem do assunto têm mais acesso aos desfiles eu gostava muito de ir de ver analisá-los e poder escrever sobre eles. Gostava de fazer da escrita e da moda a minha forma de viver, mas como em tudo estes lobbies existem. Acabando por parecer a quem está de fora que quem gosta verdadeiramente desta área e vive apaixonadamente as colecções que são pessoas fúteis, lamentável.

    We Agree to Disagree
    ***

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