Monday, 18 March 2013

Em busca do The One


A data! A data.... Não pode haver vestido, nem Dj, nem decoração se não houver data. Data escolhida. Aquela data. Aquela que sempre foi. Aquela que tem de ser.
Visitar o primeiro espaço para a festa.. É tradição de família. É perto, é intimo, fica-nos bem e... Tem a data disponivel. Porém... Algo de errado. Os menus, as regras. Os meus convidados dançam até que horas quiserem. Que se lixem as regras. E assim vem o segundo e não foram preciso três. Um sítio conhecido diria popular. Boas referências de todos os lados. E eu não conhecia.
 Horas antes. Viagem para Guimarães, descrente.... Mais do mesmo achava, não quero uma quinta, perda de tempo. Chovia ou orvalhava não sei. E de repente tudo me começou a agradar. Tudo me parecia familiar como casa. As plantas que se erguem dentro do salão de festas, as enormes rochas de granito. O cheiro a eucalipto. É este o sitio pensei. O sítio que cheira à minha infância. A data? Estava já reservada, não por um. Dois casais. Respira Raquel, respira. Estas coisas dos sítios são como os vestidos, depois de vestirmos o the one não há volta a dar. Abdicar da data? Nem assim, tudo ocupado. Não poderia ser só eu a gostar daquela floresta maravilhosa. E assim em terceiro na lista de espera implorei que houvesse uma solução, que queria, queria aquilo mesmo muito.
Ainda sem data vou aos vestidos. Queria comprar feito pelo sim pelo não. Primeira loja: falhanço total. Meninas de cabelo armado com espuma, vozes irritantemente suaves e claro cheias de razão.

-Vista este. Este é a sua cara.
-Não gosto.
-Mas fica-lhe tão bem.
-Não gosto.
- Pronto então que fazemos?
- Quero experimentar aquele.
- Mas aquele não tem nada a ver consigo, não a deixo casar naquele vestido.
- Mas posso experimentar?
- A menina precisa cá vir outra vez, está muito tensa, não está a viver a experiência.
- Eu não quero uma experiência quero um vestido que me fique bem.

Saí. Desesperada posso dizer. Pensei que seria tão fácil. Ver, chegar e vencer. Passo por outra loja de vestidos. Folheei o catálogo, encontrei um que já me tinha encantado na internet. Em jeito desabafo digo que não quero experimentar, que tinha sido traumático. A senhora passa-me a mão nos ombros, acalma-me: vai ver que a menina vai ser uma noiva xx (introduzir nome da loja). Marco uma visita, passado dias lá estou com a minha irmã. Experimento mil vestidos, gosto de todos, até daquele que me ficam mal. Mas aquele, aquele, o tal the one não está lá. Tentam me mostrar outros parecidos, ficam bem, até poderia ser este ou aquele se eu não tivesse já visto o outro. Onde está? Numa feira de noivas. Marco nova visita e espero.
Telefone toca, é da quinta: Raquel, tenho boas notícias, se calhar vai ser possível, se a lua se cruzar com Marte as 00:01 de hoje. Ora bem, vamos esperar.
Telefona toca novamente, é da loja de vestidos. O vestido não vem a tempo continua em feiras. Não quero experimentar outro, não quero mandar fazer, quero aquele, nem que seja para detestar.
Telefona volta a tocar quando estou a dormir: Raquel a data é sua. Conseguimos que Y e Z fossem para outra data/ sítio. Explosão de alegria por dentro. Agora sim, estava a começar. Padre? Done. Tudo a correr pelo melhor. 
Ligo para a loja do vestido: Ainda não chegou continuamos em lista de espera. E assim 3 meses. Sonhos com o vestido, conversas sobre o vestido, tudo gira em volta do vestido, o the one. E finalmente vejo o número da loja no visor:

- Menina Raquel o seu vestido chegou, tem de vir experimentá-lo o mais rápido possível, temos de o enviar de volta.
- Mas eu estou em Sierra Nevada, não o posso experimentar já.
- Ai menina então venha a correr logo que chegue.


Mais uma vez o vestido na minha mente. Chegou finalmente e com ele novos receios: e se não for como o imagino em mim?
Chego e vou directa à loja, ali está o vestido pendurado. Implico logo com a cor, parece-me menos branco que os outros (não era), e mais pesado do que os outros (também não), e mais engelhado do que outros (é do tecido, explicaram-me). Esforcei-me para adorar. Não foi sequer gostar, foi para adorar. Mas não. O coração não bateu mais forte e nem com véu e grinalda ele foi lá. Experimento os da visita anterior, experimento novos. Todos me ficam bem dizem. Nenhum ainda convence.
Como se casa quando não se têm o "the one" para entrar na igreja? É que vestido de noiva só vou ter um na vida, creio. E onde está você agora? (alguém grite baixinho como se fosse para o Caetano: "está aqui!")

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