Friday, 7 April 2017

Todavia


Hoje sim 40. Estava a contar as peripécias que tive com o meu padre e lembrei-me de partilhar este poema lindo que fez parte da cerimónia. O nosso padre não é um padre comum. Tem um humor particular, na cerimónia fez as leituras que lhe apeteceu (segundo ele não lhe apetecia ler o evangelho que eu tinha escolhido), fez uma piadinha quando na cerimónia do matrimónio eu disse "Aceito-te a ti Eurico, meu amor", e ainda chegou atrasado à igreja, eu noiva tive de esperar por ele um bom bocado, inédito. Um padre comme il fault, mais existissem como ele em Portugal. Quando lhe falei deste poema, lindo poema do Mario Benedetti que eu tinha descoberto há uns anos atrás, e já tinha encarregue a Andrea,  uma boa amiga nossa venezuelana de o ler na igreja, ele disse: "A Raquel sabe que isto é um bocado lascivo não sabe? Mas eu vou fazer de conta que não percebo espanhol..." Oh happy days... Aqui fica o Todavia. 

No lo creo todavía 
estás llegando a mi lado 
y la noche es un puñado 
de estrellas y de alegría 

palpo gusto escucho y veo 
tu rostro tu paso largo 
tus manos y sin embargo 
todavía no lo creo 

tu regreso tiene tanto 
que ver contigo y conmigo 
que por cábala lo digo 
y por las dudas lo canto 

nadie nunca te reemplaza 
y las cosas más triviales 
se vuelven fundamentales 
porque estás llegando a casa 

sin embargo todavía 
dudo de esta buena suerte 
porque el cielo de tenerte 
me parece fantasía 

pero venís y es seguro 
y venís con tu mirada 
y por eso tu llegada 
hace mágico el futuro 

y aunque no siempre he entendido 
mis culpas y mis fracasos 
en cambio sé que en tus brazos 
el mundo tiene sentido 

y si beso la osadía 
y el misterio de tus labios 
no habrá dudas ni resabios 
te querré más 
todavía.

Thursday, 6 April 2017

40 months

Amanhã, dia 7, faço 40 meses de casada. Número redondinho e que me enche de orgulho. Orgulho de quem somos, éramos, e continuamos a ser, nesta viagem que é uma relação a dois. Mas eu sou apressadinha e quero fazer este post já hoje mesmo. Porque dentro destes 40 meses o dia 6 de Abril assumiu papel de destaque. Curioso como tudo começa e acaba como se fosse esculpido por um artista. 

Ontem dizia no Facebook do blog que isto da felicidade é uma questão de se procurar por ela. Procurar com vontade de encontrar. Como a minha mãe procura trevos de quatro folhas e por isso tem uma colecção enorme. Quando abrimos o coração para alguma coisa, quando queremos muito algo, o universo conspira para que aconteça. Seja encontrar o trevo da sorte, seja ter conseguido ontem bilhete para o concerto do Dave Matthews e Tim Reynolds, banda sonora deste e de outros dias 6 de Abril e que era tão importante para mim. Seja ser feliz. Connosco e com quem está em nós. 

Estas fotos que vos mostro não foram tiradas pela fotógrafa do casamento e sim por uma prima. Só as vimos no dia, curiosamente, que celebrámos dois anos de casados, aquelas tais esculpidelas a cinzel. E dizem tanto, mas tanto sobre nós. São as fotografias que melhor nos definem. Neste momento tínhamos acabado de abrir o bolo sob a música "Dog Days are Over" dos Florence e os nossos amigos e familiares aproximaram-se de nós a dançar e não mais parámos. Foi mágico! E eu que sou a pessoa mais chorona deste mundo e do outro, não deitei uma lágrima no meu casamento. Como não o fiz no dia 6 de Abril. Porque quando as coisas são realmente importantes, uma espécie de capa de super-poderes abate-se sobre nós. Neste dia não chorei. Só ri, sorri, ri muito...

E não importa se o vestido não ficou como eu queria, se se engaram na cor das flores, se não abrimos a pista com a valsa do Tchaikovsky como estava programado e sim assim. A rir. Tão nós. A mais 40 juntos. Às vezes desfocados, sempre presentes. 40 de cada vez.

EDIT: sou muito tonta, afinal são 42 :) O que conta é a intenção e para mim, qualquer número é redondo. Então a 42 de cada vez!!














7 de Setembro de 2013, Parque da Penha, Guimarães

Monday, 20 March 2017

Nunca a expressão 33 Primaveras fez tanto sentido....

Há um ano atrás estava a passar uma fase de crescimento, descoberta e profunda aprendizagem. Consequentemente estava também afastada das redes sociais e tudo que pudesse toldar a minha percepcção do mundo tal como ele é. Qualquer dia voltarei a fazer o mesmo, aliás aconselho este detox de redes sociais a qualquer pessoa, ainda que possa ser por um período mais curto. No fundo tudo se traduz em estar conectada, enraizada e focada no presente. Que são três dos motivos pelos quais pratico yoga. Mas isso dá tema para outro post, vários aliás.

Há um ano eu não partilhava nada pessoal no blog nem no Facebook mas nunca deixei de escrever (está-me no sangue). E foi assim que criei um scrapbook, ou diário, que hoje guardo com muita estima (e vontade de fazer uma edição de 2017). E no primeiro dia da Primavera de há um ano atrás, eu escrevi este pequeno texto, que acho agora interessante recuperar para este espaço. Até porque tal como hoje tratava-se de um dia com uma luz pouco primaveril, fazia frio lá fora, e as questões que se punham até podem já ter sido respondidas, mas não impede que outras novas hoje surjam, fruto das respostas que entretanto chegaram. E hoje, 20 de Março, dia Internacional da Felicidade, é um dia excelente para trazer à luz palavras sentidas, porém bem guardadas num livro fechado.

Primavera é a altura do desabrochar das flores, open always petal by petal as Spring opens (touching skilfully, mysteriously) her first rose, como escreve E.E. Cummings. É tempo para investir em coisas novas, criar, renovar e inovar... O tempo e a terra fértil jogam a nossa favor. Não deixem passar esta época de criação em vão. Arrisquem! (Tal como eu arrisquei há coisa de 364 dias atrás.... E que bem me saí!)



"Chegou a Primavera num dia de trovoada no mar. Lua cheia encoberta pela neblina, corações expostos ao peito. Chegou a altura de responder à pergunta primordial: Quem és tu, miúda... O pôr-do-sol pode distrair mas não apaga. As respostas fazem-se respeitar. Os sentimentos toldam a assertividade. Está na altura de crescer!"

[A nível de tendências lá chegaremos. Não queiram abraçar toda a novidade num dia. Lentamente deixamos os tons nivelados a cinza e abraçamos os pasteis, com o magenta a reinar. A Primavera, a par do Outono, é uma época óptima para ser criativo a nível de estilo. Experimentem coisas que sempre acharam que não vos ficariam bem, comprem pelo menos uma camisa nova e deixem-se mergulhar nos materiais mais leves. O algodão tem prioridade, os brancos também. Abracem as sobreposições e brinquem com a palete de cores. Permitam reinventarem-se, pétala a pétala, camada a camada, tal como a rosa do poeta.]

Balenciaga SS 17

 Celine SS 17


Saturday, 18 March 2017

Julieta de Almodovar


Vi o Julieta num voo nocturno que me trazia sozinha do Rio de Janeiro de volta ao Porto. Aterrei, descansei o que necessitava e apanhei a próxima sessão do filme no cinema. Eu precisava de ver aquele filme em "telona". O filme impressionou-me logo pela estética dos anos 70, cores muito fortes a lembrar os tons technicolor, o vermelho permanentemente presente em cada take. Os cabelos da protagonista num tom e corte a lembrar-nos as rockeiras da altura, as roupas num vinil muito próprio da época, a delicadeza no olhar que contrasta com tudo isto.
Com Julieta, Almodóvar volta aos dramas femininos, que tão bem explorou em "Tudo sobre a minha mãe" ou "Volver". E Almodóvar conhece a mulher como ninguém. Curiosamente este filme tinha o título de Silêncio, mas foi mudado dada a coincidência com a obra de Scorcese. Porque em Julieta há sem dúvida silêncios que falam, discursam, por vezes gritam. É um filme feminino e abraça como é costume neste realizador, o tema da maternidade, do crescimento da mulher, da condição única de ser mulher: mulher em Almodôvar. E é impossível que qualquer pessoa que veja este filme, homem ou mulher, não se sinta emocionado pela honestidade dos sentimentos. A vida não é um conto de fadas, e se dúvidas existissem, Pedro Almodóvar tira-nos, uma por uma, como um soco invisível no estômago. E apesar de ser um filme visceral, difícil, que exige do espectador, é também uma história acima de tudo muito bonita. Visualmente e a nível dos afectos.
Apesar da pré-nomeação para os Óscares, o vigésimo filme do consagrado cineasta espanhol, não chegou à curta lista de 2016. Esteve porém nas mais diversas listas de críticos cinematográficos como os "Dez filmes que tem mesmo de ver este ano". Porque nos dá, dá-nos imenso, e quando um filme tem a capacidade de nos dar tanto, nós temos a obrigação de o trazer connosco para casa, um pouco daquele vermelho, colado na retina, guardado no coração. Ainda bem que me cruzei com este Almodóvar enquanto cruzava o Atlântico. Tornou a minha viagem infindavelmente mais rica.

(Este texto foi publicado pela primeira vez dia 15 de Março no portal www.ricardojorgepinto.com)


[As tendências que nos vão surgindo em street style das semanas de moda, campanhas de marcas e montras de lojas, mostram que esta é uma estética do here and now. A mistura do vermelho com o rosa forte é um exemplo disso. O uso do vinil e dos metalizados outro. As aplicações e o couro. Um pouco de Bowie em tudo o que vemos. A era dos rocks stars, todos têm brilho próprio. Can we be heroes just for one day? A moda mais uma vez segue a arte. E todos ficam a ganhar.]



(Imagens de Zara.com)

Monday, 6 March 2017

Givenchy FW 17/18 - Lady iconic in Red



Estava curiosa, confesso, com a colecção que a Givenchy ia apresentar. E estou não menos que muito surpreendida com o resultado. Tisci saiu há muito pouco tempo, os contornos são ainda desconhecidos. Os números que vêm no corpo das manequins ou na roupa não são ao acaso. Referem-se à temporada em que aquele design icónico apareceu na passerelle Givenchy. A sweatshirt com o print do Bambi no Outono/ Inverno 2013; o fato em neopreno do Outono/ Inverno 2010; a t-shirt com a madonna da Primavera/ Verão 2013, o vestido em lantejoulas da Primavera/ Verão 2014; as botas "Shark-Lock" do Outono/ Inverno 2012; e por aí continuamos. Fall Winter XY, Spring Summer YZ e assim se conta a história do reinado Tisci a vermelho. Que às vezes também é laranja, que às vezes é mais coral. Simplesmente genial.




























Thursday, 2 March 2017

Puma Suede Heart


Acham que através do meu tumblr conseguem perceber aquilo que o meu coração consumista está a pensar? Não se esqueçam de o visitar aqui!

Friday, 24 February 2017

Dos carnavais...



Hoje é daqueles dias que me dá gosto abrir o instagram e ver a miudagem toda mascarada. A minha mãe fez de mim a pirosa que sou hoje. E eu adorava, claro. Durante o período da escola primária,  comprava as minhas roupas numa loja chamada "Coco" em Tui e tecidos para mandar fazer vestidos em Vigo. Eu andava sempre em modo boneca, ia de vestido para a escola quase todos os dias e quando eu pedia à minha mãe para usar jeans ela dizia "nem pensar, és uma princesa, tens de te vestir como tal". O amor manifesta-se de muitas formas e se há coisa que fui (e sou) é muito amada.

O Carnaval era um grande acontecimento em que a minha mãe se empolgava tanto ou mais que eu. E todos os anos eu ia vestida com a coisa mais elaborada que podem imaginar. O meu disfarce favorito era de "dama antiga". Com os saiotes, espartilhos, o cabelo em cachos e as jóias da minha mãe. Havia um concurso na escola e eu ficava sempre em segundo lugar. Sempre. Porque havia uma miúda, cuja mãe costureira lhe fazia coisas muito loucas, do género astronauta ou artista Pop, e eu perdia sempre. Chegava a casa frustrada. Também queria ser astronauta... 

No último ano da primária a minha mãe não quis ir comprar a roupa a Vigo, segredou-me "este ano ano vai ser o melhor de todos". Começámos a ter encontros com uma costureira, tirar medidas, fazer provas. Eu não estava contente. A minha mãe achou que eu deveria honrar as origens e ir vestida de lavadeira ribatejana. Tinha o trapo da roupa em cima da cabeça, tinha cesto que carregava, tinha avental típico, tinha as socas em couro mal amanhado. Estou com esta cara de amuo que vêem em todas as fotos, odiei o meu disfarce com todas forças até o minuto de o finalmente despir. Acho que caíram umas lágrimas pelo meio.  Lavadeira ribatejana? Eu queria continuar a ser princesa, já que não era astronauta. Não me apanharam um único sorriso nesse dia. Esse ano ganhei o concurso. (E a minha mãe ficou mais orgulhosa do que nunca). ♥

Thursday, 23 February 2017

I'm an itsy bitsy teenie weenie book

Quebrei o galho! Nem quero acreditar. Tudo isto começou quando alguém começou a negligenciar o blog. Assim aos pouquinhos, a escrever pouco ou nada. A verdade é que ser "blogger" deixou de ser atractivo para mim, principalmente um blog neste termos mais rosinha, apesar de ser nesses que eu continuo a escrever. Não faz sentido no ponto da vida que me encontro e nao tenho paciência, ir a mil cocktails e apresentações de marcas, ver sempre as mesmas pessoas, sorrir e seguir. Trazer para casa um presente, ter a certeza que o ponho no instagram ou faço um post no blog. Isso e as dezenas de press releases que recebo por dia, gente a tentar comprar-me um post e a minha opinião, e a obrigação de vender, de ser uma montra, ainda que de forma pouco explicita. ARGH! E não quer dizer que não existam blogs hoje em dia que sejam 100% ou vá 99% honestos e ZERO interessados em fazer disto um negócio, mas eu estou mesmo num comprimento de onda de NO, NO, NO! 

Desde que comecei a escrever apenas na página de Facebook (e a interacção ali é gigante, adoro aquelas 3 mil pessoas que lá estão porque querem, e não porque foram atrás de ganhar um giveaway), que me dá gozo isto de escrever o que me apetece. Apetece-me escrever sobre as semanas de moda, como tenho feito, aí vou eu. Escrevo, ponho milhões de fotos, é moda pura e dura. Apetece-me fazê-lo sobre cinema, siga, há sempre quem venha partilhar a opinião também. Apetece-me dizer mal da minha vida, falar em nome do meu alter-ego, dizer muitos rais'partas e queixar-me deste ou daquela marca cuja postura não gosto: voilá. E eu nem sequer sei fazer aqueles flat coisos e aquelas prime yada yada que agora toda gente faz, nem quero! Free as a bird! 

Mas apesar de tudo havia aqui um problema, sabem. É que para além dos mais de 800 posts aqui publicados que estavam bloqueados (uns senhores maus dos domínios compraram o meu e não mo vendiam de volta), eu queria escrever num espaço que não fosse tão volátil como o Facebook. Porque há textos que lá deixo e que agora quero deixar aqui, porque não quero que se percam. Porque são demasiado sinceros, ou importantes ou sei lá, simplesmente meus. E quero que fiquem registados. Como está a road trip à Sardenha, como os posts do casamento, da lua de mel, ou todos os posts de looks de quando era gira, jovem e com vontade de tirar aquelas fotos que hoje olho e meeeh. Se calhar essa vontade de me fotografar até irá voltar, sou atleta de alta competição no instagram, mas todo o conceito.... Perdeu-se. Para mim perdeu-se. Já não é quem sou. Eu sou realmente isto, alguém que adora escrever, falar pelos cotovelos. Que gosta de dizer o que sente quando sente. Ás vezes é sobre sapatos, às vezes é sobre penteados e às vezes é sobre tudo o que anda aqui no meio, incluindo e principalmente os meus pensamentos. E é isso que quero acima de todas as coisas: um blog pessoal. 

Não sei como todo este processo se vai dar, se vou fazer arquivo de textos escritos, looks que valham a pena, um apanhado de tudo isso ou até nada; de momento estou muito feliz porque recuperei o meu blog (embora o meu domínio tenha ido para as urtigas, que descanse em paz). Vamos a isto? Que bom (imaginem dedos da mão a tocarem-se como faz o mau dos Austin Powers, se calhar até há um emoji para isso, mas eu não sei escrever aqui com emojis, não sou desse tempo, lamento, será toda uma aprendizagem, ai estes parêntesis mais longos do que frases, oh well), que bom estar de volta, estou feliz!


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...