Friday, 24 February 2017

Dos carnavais...



Hoje é daqueles dias que me dá gosto abrir o instagram e ver a miudagem toda mascarada. A minha mãe fez de mim a pirosa que sou hoje. E eu adorava, claro. Durante o período da escola primária,  comprava as minhas roupas numa loja chamada "Coco" em Tui e tecidos para mandar fazer vestidos em Vigo. Eu andava sempre em modo boneca, ia de vestido para a escola quase todos os dias e quando eu pedia à minha mãe para usar jeans ela dizia "nem pensar, és uma princesa, tens de te vestir como tal". O amor manifesta-se de muitas formas e se há coisa que fui (e sou) é muito amada.

O Carnaval era um grande acontecimento em que a minha mãe se empolgava tanto ou mais que eu. E todos os anos eu ia vestida com a coisa mais elaborada que podem imaginar. O meu disfarce favorito era de "dama antiga". Com os saiotes, espartilhos, o cabelo em cachos e as jóias da minha mãe. Havia um concurso na escola e eu ficava sempre em segundo lugar. Sempre. Porque havia uma miúda, cuja mãe costureira lhe fazia coisas muito loucas, do género astronauta ou artista Pop, e eu perdia sempre. Chegava a casa frustrada. Também queria ser astronauta... 

No último ano da primária a minha mãe não quis ir comprar a roupa a Vigo, segredou-me "este ano ano vai ser o melhor de todos". Começámos a ter encontros com uma costureira, tirar medidas, fazer provas. Eu não estava contente. A minha mãe achou que eu deveria honrar as origens e ir vestida de lavadeira ribatejana. Tinha o trapo da roupa em cima da cabeça, tinha cesto que carregava, tinha avental típico, tinha as socas em couro mal amanhado. Estou com esta cara de amuo que vêem em todas as fotos, odiei o meu disfarce com todas forças até o minuto de o finalmente despir. Acho que caíram umas lágrimas pelo meio.  Lavadeira ribatejana? Eu queria continuar a ser princesa, já que não era astronauta. Não me apanharam um único sorriso nesse dia. Esse ano ganhei o concurso. (E a minha mãe ficou mais orgulhosa do que nunca). ♥

Thursday, 23 February 2017

I'm an itsy bitsy teenie weenie book

Quebrei o galho! Nem quero acreditar. Tudo isto começou quando alguém começou a negligenciar o blog. Assim aos pouquinhos, a escrever pouco ou nada. A verdade é que ser "blogger" deixou de ser atractivo para mim, principalmente um blog neste termos mais rosinha, apesar de ser nesses que eu continuo a escrever. Não faz sentido no ponto da vida que me encontro e nao tenho paciência, ir a mil cocktails e apresentações de marcas, ver sempre as mesmas pessoas, sorrir e seguir. Trazer para casa um presente, ter a certeza que o ponho no instagram ou faço um post no blog. Isso e as dezenas de press releases que recebo por dia, gente a tentar comprar-me um post e a minha opinião, e a obrigação de vender, de ser uma montra, ainda que de forma pouco explicita. ARGH! E não quer dizer que não existam blogs hoje em dia que sejam 100% ou vá 99% honestos e ZERO interessados em fazer disto um negócio, mas eu estou mesmo num comprimento de onda de NO, NO, NO! 

Desde que comecei a escrever apenas na página de Facebook (e a interacção ali é gigante, adoro aquelas 3 mil pessoas que lá estão porque querem, e não porque foram atrás de ganhar um giveaway), que me dá gozo isto de escrever o que me apetece. Apetece-me escrever sobre as semanas de moda, como tenho feito, aí vou eu. Escrevo, ponho milhões de fotos, é moda pura e dura. Apetece-me fazê-lo sobre cinema, siga, há sempre quem venha partilhar a opinião também. Apetece-me dizer mal da minha vida, falar em nome do meu alter-ego, dizer muitos rais'partas e queixar-me deste ou daquela marca cuja postura não gosto: voilá. E eu nem sequer sei fazer aqueles flat coisos e aquelas prime yada yada que agora toda gente faz, nem quero! Free as a bird! 

Mas apesar de tudo havia aqui um problema, sabem. É que para além dos mais de 800 posts aqui publicados que estavam bloqueados (uns senhores maus dos domínios compraram o meu e não mo vendiam de volta), eu queria escrever num espaço que não fosse tão volátil como o Facebook. Porque há textos que lá deixo e que agora quero deixar aqui, porque não quero que se percam. Porque são demasiado sinceros, ou importantes ou sei lá, simplesmente meus. E quero que fiquem registados. Como está a road trip à Sardenha, como os posts do casamento, da lua de mel, ou todos os posts de looks de quando era gira, jovem e com vontade de tirar aquelas fotos que hoje olho e meeeh. Se calhar essa vontade de me fotografar até irá voltar, sou atleta de alta competição no instagram, mas todo o conceito.... Perdeu-se. Para mim perdeu-se. Já não é quem sou. Eu sou realmente isto, alguém que adora escrever, falar pelos cotovelos. Que gosta de dizer o que sente quando sente. Ás vezes é sobre sapatos, às vezes é sobre penteados e às vezes é sobre tudo o que anda aqui no meio, incluindo e principalmente os meus pensamentos. E é isso que quero acima de todas as coisas: um blog pessoal. 

Não sei como todo este processo se vai dar, se vou fazer arquivo de textos escritos, looks que valham a pena, um apanhado de tudo isso ou até nada; de momento estou muito feliz porque recuperei o meu blog (embora o meu domínio tenha ido para as urtigas, que descanse em paz). Vamos a isto? Que bom (imaginem dedos da mão a tocarem-se como faz o mau dos Austin Powers, se calhar até há um emoji para isso, mas eu não sei escrever aqui com emojis, não sou desse tempo, lamento, será toda uma aprendizagem, ai estes parêntesis mais longos do que frases, oh well), que bom estar de volta, estou feliz!


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