Friday, 26 January 2018

Social Media Trainwreck


Nos últimos dias a propósito da Mira Duma, da questão da N word, do hate que vai no Diet Prada, do assédio e por aí, tem sido recorrente uma frase que digo já há meses, em conversa com outras bloggers e amigas. As redes sociais e a internet conseguiram fazer com que a liberdade de expressão fosse em excesso e ao mesmo tempo parece que deixamos de ter liberdade de expressão, porque em qualquer coisinha somos julgados e acossados. Bruxas de Salem.

O que a Lovely Pepa fala aqui neste vídeo é do fórum do revista Vogue Espana e obviamente é grave. 70 mil mensagens de hate é muito grave. Mas não é caso único. Estes blogs e fóruns existem em Portugal, imensos nos EUA. Recordo o caso de uma blogger, a Freckled Fox, que quando o marido estava a morrer de cancro, ela expunha tudo de uma forma um pouco estranha ou a que pelo menos não estamos habituados, e chegaram por isso nestes foruns a pôr em causa a doença, a palavra dela, o Go Fund Me que criou para pagar despesas médicas e sustentar os 4 filhos, e tornar-se numa perseguição sem tréguas. Ela é hoje viúva, e essas páginas foram apagadas mas outras foram criadas para continuar a criticá-la. Isto existe para bloggers, manequins, actrizes, jogadores de futebol, you name it. Óbvio que quando carrega o nome da Vogue como neste caso, calma. Não é essa a vibe de sofisticação que a Vogue carrega. O IMDB por exemplo, e partilhei esse artigo no Residência, partilho aqui outra vez com quem quiser ler, acabou com o fórum de mensagens que tinha há anos e que era o maior fórum de discussão de cinema do mundo, para apaixonados por cinema, porque as mensagens de ódio e ameaças começaram a ser insustentáveis. Não vamos mais longe, basta ir aos comentários do Facebook do Correio da Manhã. Vocês sabem bem do que falo.

Por isso sim, é triste, tão triste, principalmente num mundo em que ainda muitos não têm liberdade de expressão, em que outros a tenham conquistado há pouco tempo, como nós, que a liberdade de expressão se esteja a transformar numa utopia e num incómodo, porque as pessoas não a sabem usar. E sim, cada vez mais acredito que mais vão ser aqueles que vão explodir e desligar. Voltar ao analógico, ao telefone de teclas a preto e branco. Este comboio vai descontrolado por aí fora e eu não quero estar a bordo quando ele cair. Deliberadamente já não me meto ao barulho em temas polémicos, não respondo a comentários parvos, faço os meus detoxs digitais. Um dia o detox será for good. Porque se queremos viver uma vida positiva, de amor, não podemos estar sempre rodeados de negatividade, de ódio e de forma geral de estupidez. A Alexandra diz uma coisa interessante neste vídeo: Se em vez de perder tanto tempo a criar 1800 páginas de críticas, estas pessoas se tivessem dedicado a algum projecto, talvez hoje tivessem algum sucesso, como ela tem. Mundo assustador este, que a cada dia me mostra que o progresso talvez esteja em dar uns quantos passos para trás.


O debate sobre este tema continua no Facebook do blog, onde garantidamente, qualquer palavra de ódio será apagada. 

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